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Ar-condicionado antigo gasta mais energia mesmo?

EM UMA FRASE

Sim, geralmente. O compressor de um aparelho antigo geralmente só trabalha na potência máxima e puxa um pico de corrente a cada partida. A sujeira acumulada nos anos de uso também aumenta o esforço da máquina para resfriar o ambiente, o que causa um consumo maior.

O consumo de etiqueta dos modelos à venda hoje está logo abaixo.

liga e desliga inverter: desacelera
Em cima, o compressor comum liga e desliga; embaixo, o inverter desacelera e mantém a rotação.

O compressor antigo só sabe ligar e desligar

Ele tem dois estados. Ligado na força total, ou parado. Não existe meio-termo.

O motor puxa a potência máxima até o cômodo chegar na temperatura do controle. Aí desliga por inteiro. Quando o ar esquenta de novo, ele arranca outra vez do zero. A partida é o momento mais pesado do ciclo, porque o motor precisa vencer a inércia e puxa uma corrente bem acima da que gasta rodando.

O aparelho novo, geralmente, segura o motor girando em movimento maior ou menor, mas sempre funcionando, em vez de parar e arrancar a noite inteira.

O que alguns anos de sujeira fazem

Poeira e gordura se acumulam no filtro e na serpentina. A camada age como um cobertor e atrapalha a troca de calor. Para entregar o mesmo frio de antes, o aparelho fica mais tempo ligado na potência máxima.

É por isso que a mesma máquina, com o mesmo uso, pesa mais na conta depois de alguns verões. Você percebe pelo ar que sai fraco ou quase morno, e por uma crosta cinzenta nas telas do filtro e na turbina do ventilador.

O que você escuta e sente

O modelo antigo avisa quando vai trabalhar. Um estalo na unidade, a carcaça vibrando, e o barulho do compressor entrando. Minutos depois vem um silêncio repentino, e o ciclo recomeça a noite toda.

Isso afeta até mesmo o conforto térmico do ambiente. O quarto gela demais quando o motor entra e abafa assim que ele para. Com a rotação modulada, a temperatura fica quase constante ao longo da noite.

Quanto isso pesa na conta

Não dá para colocar o seu aparelho antigo ao lado de um novo em uma tabela de etiqueta. Entre os modelos liga-desliga que acompanhamos, quase nenhum ainda tem etiqueta INMETRO registrada, e comparar com um ou dois seria chute.

O que dá para afirmar é o mecanismo. O antigo trabalha sempre no topo da potência; o novo passa a maior parte do tempo em rotação baixa. Quem usa o ar muitas horas seguidas é quem enxerga essa diferença na fatura.

O que custa manter o antigo de pé

A limpeza das telas do filtro você faz em casa sem gastar nada. Desligue o aparelho, tire as telas, lave em água corrente e deixe secar à sombra antes de recolocar.

A higienização interna da turbina e das serpentinas é outra história, assim como a troca das peças que sofrem com as partidas, como capacitor e relé. Isso é serviço técnico. O preço varia de cidade para cidade e conforme a facilidade de acesso à condensadora, então não existe um valor único para dar aqui.

Quando parar e chamar um técnico

Se você já lavou os filtros, fechou portas e janelas e o aparelho continua soprando ar morno, pare por aqui. O mesmo vale para cheiro de queimado ou barulho de metal raspando na partida.

Antes de abrir qualquer tampa para olhar a parte elétrica, desligue o disjuntor do ar-condicionado no quadro da casa. Lembre-se que teste de pressão nas tubulações e recarga de gás precisam de manômetro e ferramentas próprias, sendo mais indicado a contratação de um técnico.

O que muda na prática

Inverter 9.000 BTUs

30,3 kWh/mês

Mediana da etiqueta entre os splits inverter dessa capacidade, com faixa de 23,9 a 40,2 kWh/mês.

Etiquetas INMETRO dos modelos que acompanhamos

Inverter 12.000 BTUs

40,1 kWh/mês

Mediana da etiqueta nessa capacidade; os modelos vão de 31,8 a 53,1 kWh/mês.

Etiquetas INMETRO dos modelos que acompanhamos

Inverter 18.000 BTUs

60,6 kWh/mês

Mediana da etiqueta nessa capacidade, de 45,7 a 69,7 kWh/mês. A etiqueta mede um uso padrão de referência, não a rotina da sua casa.

Etiquetas INMETRO dos modelos que acompanhamos

Mitos e pegadinhas

dizem que… Colocar o ar no mínimo faz o quarto gelar mais depressa.
na prática… O ar que sai da máquina tem sempre a mesma temperatura. A seleção da temperatura no controle do ar condicionado, na verdade, funciona para selecionar a temperatura "alvo". Existe um termostato no aparelho que acompanha a temperatura do ambiente, e desliga o equipamento quando a temperatura alvo é atingida.
dizem que… Deixar uma fresta de porta ou janela aberta melhora a circulação do ar.
na prática… O ar quente de fora entra sem parar. O cômodo nunca chega na temperatura do controle e o motor fica preso na potência máxima.

Na hora de comprar, o que olhar

  1. Trocar por um inverter compensa quando o aparelho fica ligado muitas horas por dia, porque é aí que a economia de girar devagar se acumula; em uma hora de uso por noite, a diferença demora anos para pagar o aparelho novo.
  2. Dos 217 modelos que acompanhamos, 154 são inverter, e 138 desses inverter são 220 V. Se o seu aparelho antigo é 127 V, a troca provavelmente exige um circuito de 220 V no quadro, e isso é serviço para um eletricista. E, se a entrada da casa for monofásica, esse serviço ainda depende da distribuidora, que liga a segunda fase quando você pede.
  3. Antes de decidir, lave as telas do filtro. Se o aparelho voltar a gelar como gelava, o problema era sujeira, não idade.

Entenda com detalhes o que é ar-condicionado inverter e como funciona para comparar com o seu modelo atual.

compare os modelos deste tipo lado a lado — Calculadora de Ar-Condicionado

Perguntas que chegam junto

Limpar tudo deixa o aparelho antigo tão econômico quanto um novo?
Não. A limpeza devolve o que o aparelho perdeu para a sujeira, e isso costuma ser bastante. O que ela não muda é o compressor. Ele continua, geralmente, só ligando e desligando na potência máxima, e é daí que vem a maior parte do gasto.

fontes: Etiquetas INMETRO dos modelos que acompanhamos

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