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Ar-condicionado central: como funciona e o que muda

EM UMA FRASE

O ar-condicionado central trata o ar de vários cômodos a partir de uma única central de máquinas. Esse ar chega por dutos escondidos no forro ou por várias unidades internas ligadas a uma condensadora só.

Peça o projeto antes do orçamento, porque sem o cálculo de carga térmica cada empresa acaba orçando uma obra diferente.

Como a central trata o ar em um ponto só

O compressor funciona como uma bomba. Ele empurra o fluido refrigerante por um circuito fechado de tubos de metal.

O sistema não cria frio. Ele tira o calor do ar de dentro e joga esse calor para fora.

Na serpentina interna, o fluido chega em baixa pressão e baixa temperatura. O ar do ambiente passa por essa serpentina e perde calor e umidade. O fluido esquenta, vira gás e volta para o compressor, que aumenta a pressão e a temperatura. Depois, a condensadora, que fica do lado de fora, solta esse calor no ar.

A diferença para um aparelho de parede é o lugar onde isso acontece. No split, o ar é puxado, resfriado e devolvido dentro do mesmo cômodo. Já na central, o ar é tratado em um único ponto do imóvel e só depois distribuído para os cômodos.

Duas formas de levar o ar até os cômodos

No sistema dutado, o ar tratado sai da máquina e corre por dutos escondidos no forro até uma grelha em cada ambiente. Então você não vê nenhum aparelho na parede, só as grelhas.

Já no VRF (fluxo de refrigerante variável), o que corre pelos tubos é o fluido refrigerante, e não o ar. Uma condensadora só alimenta várias unidades internas, que podem ser de forro, cassete no teto ou de parede, e dá para acertar a temperatura de cada cômodo separadamente. Essa é a opção de quem não tem um forro onde caiba uma rede de dutos, e ela tem um guia próprio, ar-condicionado VRF: o que é e quando compensa.

O que muda na obra

A central precisa de espaço em três lugares: a área técnica onde ficam as máquinas, o caminho no entreforro (o vão acima do forro) para dutos e tubos, e a linha de dreno com caimento até o ralo. Em casa, as grelhas ficam embutidas no gesso, e o guia do ar-condicionado central para a casa mostra o que isso muda no pé-direito e em que fase da obra ele entra melhor.

A parte elétrica entra no projeto junto com a obra. A central precisa de um circuito só para ela, e a bitola do fio e o disjuntor saem do cálculo de quem assina o projeto, e não do que já existe no quadro.

A etiqueta do INMETRO, com a classe de A a F, cobre os aparelhos de janela, os splits e os unitários de menor porte. As centrais de grande porte não têm essa etiqueta, então não dá para comparar duas propostas pela classe, como você faz com dois splits na loja.

Se os dutos, o caimento do dreno e a vazão de cada saída não forem calculados, uma sala fica gelada e a outra fica abafada. Aí o problema não é a potência da máquina, mas o equilíbrio do sistema como um todo. Isso se resolve no projeto, e trocar o equipamento não adianta.

Quanto custa

O ar-condicionado central não tem preço de prateleira. O valor sai do orçamento de quem vai fazer o serviço e muda com o porte do sistema, os metros de duto, a drenagem, a parte elétrica e o que precisa ser aberto no forro e nas paredes. Os valores que aparecem na internet vêm de empresas que vendem a instalação. Eles não batem entre si, e nenhum deles foi calculado para a sua casa.

Peça pelo menos dois orçamentos e exija que cada um separe três linhas:

  • equipamento e unidades internas;
  • dutos, tubulações, dreno e grelhas;
  • instalação elétrica, obra civil e comissionamento, que são os testes de vedação, de vácuo e o ajuste da vazão de ar.

É assim que você compara duas propostas que, no total, parecem iguais.

Se o imóvel já tem o caminho pronto para dutos e tubos, a obra é menor. Mas se não tem, a obra vem antes do aparelho e entra no mesmo orçamento.

Quando parar e chamar um técnico

Você mesmo pode lavar ou trocar os filtros que consegue alcançar e conferir se não tem nada tampando as grelhas.

Pare de usar a central se ela deixar de gelar, se aparecer gelo nos tubos, se a serpentina congelar mesmo com os filtros limpos, se o disjuntor ficar desarmando, se surgir um barulho metálico diferente ou cheiro de queimado. Desligue o disjuntor do sistema e chame um técnico. Vazamento de fluido refrigerante e falha elétrica são serviço de profissional, porque para mexer no gás é preciso ter ferramenta própria, e a parte elétrica tem risco de choque.

O que muda na prática

Alimentação elétrica

220 V ou 380 V

A central não roda em 127 V monofásico. As menores precisam de 220 V, e as maiores, de alimentação trifásica em 220 V ou 380 V.

Diversas

A norma do projeto

NBR 16401

A norma da ABNT tem três partes, e elas cobrem os critérios de cálculo da instalação, o conforto térmico e a qualidade do ar, com renovação de ar externo e filtragem.

ABNT

Mitos e pegadinhas

dizem que… Ar-condicionado central serve para qualquer imóvel.
na prática… Não. Se não tiver espaço para as máquinas, para os dutos e para a drenagem, não dá para instalar a central. Em imóvel pequeno, ou quando a reforma não está nos planos, aparelhos separados resolvem com menos obra.
dizem que… Uma máquina mais potente do que o necessário gela melhor.
na prática… Não. Com potência sobrando, o sistema fica ligando e desligando em ciclos curtos, o que desgasta a máquina e deixa o ar úmido. O tamanho certo sai do cálculo de carga térmica.

Na hora de comprar, o que olhar

  1. Meça o entreforro antes de escolher o sistema. Dutos, grelhas, tubos e a linha de dreno com caimento precisam caber lá dentro.
  2. Peça a um profissional habilitado para conferir se a alimentação elétrica e o quadro aguentam a central, antes de assinar o contrato.
  3. Exija que o projeto defina a vazão de ar de cada saída, e não só a capacidade total da máquina.
  4. Deixe as máquinas e os filtros num lugar fácil de alcançar, porque se ninguém consegue chegar até eles, a manutenção acaba não sendo feita.

Antes de começar a obra, veja o guia de instalação de ar-condicionado: preço e cuidados, que ajuda a planejar a infraestrutura.

veja como esse tipo se sai numa comparação completa — Qual Ar-Condicionado

Perguntas que chegam junto

A garantia de fábrica depende de quem instala?
Depende. Segundo o manual de projeto da Carrier, para a garantia valer, a alimentação elétrica precisa seguir o que está no projeto, e a montagem e o comissionamento têm que ser feitos por empresa credenciada. Guarde a nota fiscal e o relatório de comissionamento junto com o manual.
O ar-condicionado central serve para galpão ou área industrial?
Serve, mas com uma máquina de outro porte. Em prédios e plantas industriais grandes, a central resfria água, e essa água circula por tubos até os aparelhos de cada andar. O cálculo também muda, porque o calor que os equipamentos do lugar soltam pesa tanto quanto o sol na fachada.

fontes: Carrier, Inmetro, ABNT, Diversas

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