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Ar-condicionado de precisão: o que é e como funciona

EM UMA FRASE

O ar-condicionado de precisão é feito para funcionar sem parar, tirando o calor seco que os servidores produzem e mantendo a umidade da sala sempre estável.

Veja abaixo o que o split comum faz de errado numa sala de servidores.

O que ele faz que o split não faz

Um servidor não sua, então o rack ligado joga no ar só calor seco, o que a termodinâmica chama de calor sensível. Já numa sala com gente, o ar recebe calor e água, porque as pessoas suam e respiram. São dois problemas diferentes, e cada máquina foi feita para um deles.

O equipamento de precisão de um data center, chamado de CRAC no catálogo, é um gabinete metálico reforçado, com compressor de alta durabilidade, serpentinas superdimensionadas, ventiladores de vazão alta, filtros plissados e um sistema que umidifica e desumidifica sozinho. Ele sopra um volume grande de ar pela sala, mede o ambiente o tempo todo e funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, sem nenhuma pausa.

Os técnicos costumam comparar o split de parede a um carro de passeio, e o de precisão a uma carreta de mineração. Os dois têm motor e rodas, mas só a carreta aguenta rodar carregada o dia inteiro, todo dia.

Por que o aparelho comum queima na sala do servidor

O número que separa os dois é o Fator de Calor Sensível, que é a parte da capacidade que vira queda de temperatura, e não água escorrendo pelo dreno. O aparelho de conforto fica entre 0,60 e 0,65, e a máquina de precisão entre 0,90 e 0,95. Na prática, isso quer dizer que de 35% a 40% da força do split comum vai para condensar uma umidade que os servidores nunca produziram.

O resultado é que o dreno pinga sem parar, a sala fica ressecada, a condensadora trava nos dias mais quentes e o alerta de temperatura pisca no painel. E o compressor residencial não foi projetado para trabalhar sem intervalo o ano inteiro, por isso ele quebra antes do tempo.

A umidade é metade do serviço

Baixar a temperatura resolve só uma parte. O recomendado é manter a sala entre 40% e 55% de umidade relativa, com folga até perto de 60% em instalações novas. Se o ar fica seco demais, abaixo dessa faixa, qualquer atrito vira eletricidade estática, e uma faísca ao encostar no rack queima um circuito na hora. Agora, se fica úmido demais, acima dela, o vapor condensa nas partes frias e forma gota sobre o barramento, o que dá curto e ferrugem. O aparelho comum não mede nem corrige nada disso, e só resseca o ar.

O quadro elétrico vem antes do equipamento

Essas máquinas não ligam em tomada. No Brasil, elas trabalham em 208 V a 230 V, quase sempre em rede bifásica ou trifásica industrial. E a norma que trata de ventilação e climatização em ambientes de TI é a ABNT NBR 17207. Se a sala só tem ponto de 127 V monofásico, o serviço elétrico entra no orçamento antes da compra.

Quando parar e chamar o técnico

Se os servidores dispararem alerta de temperatura alta, chame o técnico de refrigeração na hora, mas não desligue a climatização que ainda está funcionando, porque sem ela a sala esquenta ainda mais rápido. Agora, se houver cheiro de queimado ou se alguém levar choque ao tocar na estrutura metálica dos racks, desligue o disjuntor e chame o técnico. Antes de abrir o quadro para conferir disjuntor ou conexão, desligue o disjuntor geral, para não correr risco de choque elétrico. Já a carga de gás refrigerante, o cálculo térmico da sala e o ajuste da umidificação são serviço de engenheiro e de técnico de refrigeração de TI. Então, mesmo que você cuide dos servidores, deixe essa parte com eles.

O que muda na prática

Máquina de precisão

0,90 a 0,95

É o Fator de Calor Sensível, ou seja, a parte da capacidade que vira queda de temperatura em vez de virar água no dreno.

Diversas

Split de conforto

0,60 a 0,65

No aparelho feito para gente, boa parte da capacidade é gasta tirando uma umidade que o servidor não produz.

Diversas

Umidade da sala

40% a 55%

É a faixa em que não se forma eletricidade estática e o vapor não condensa sobre as placas.

Diversas

Mitos e pegadinhas

dizem que… Dois splits comuns em revezamento resolvem a sala de servidores gastando menos.
na prática… Revezar não muda o tipo de calor que a sala tem. Os dois continuam ressecando o ar, e se um deles parar de funcionar no dia mais quente, a sala inteira fica sem resfriamento.

Na hora de comprar, o que olhar

  1. Procure o Fator de Calor Sensível no catálogo da máquina e descarte o que ficar abaixo de 0,90.
  2. Cheque o quadro elétrico antes de pedir o orçamento, porque essas máquinas precisam de 208 V a 230 V, quase sempre em rede bifásica ou trifásica, e não ligam em tomada de 127 V.
  3. Exija umidificação e desumidificação automáticas, que mantenham a sala entre 40% e 55% de umidade, porque só esfriar não protege as placas.

Quem calcula a capacidade da sala é o engenheiro de climatização. Para saber de que número esse projeto parte, veja como climatizar uma sala de servidores.

quem já decidiu por este tipo costuma comparar por aqui — Qual Ar-Condicionado

Perguntas que chegam junto

Qual é a temperatura recomendada para a sala de servidores?
Entre 18 °C e 27 °C na entrada de ar dos equipamentos, que é a faixa recomendada pela ASHRAE. Forçar a sala para 16 °C não deixa as máquinas mais rápidas. Só gasta energia à toa e leva o ar para mais perto do ponto em que a água começa a condensar sobre as placas.
Quanto custa um ar-condicionado de precisão?
Não existe preço de prateleira. São máquinas industriais vendidas sob encomenda por distribuidoras de engenharia, com orçamento feito por projeto. O que mexe no valor é o calor que os racks produzem, o jeito de soprar o ar frio na sala (pelo piso elevado ou por duto), a distância até as condensadoras e quantas máquinas de reserva a sala precisa. A garantia também é negociada em contrato com o fabricante, e não segue o prazo de balcão dos eletrodomésticos.

fontes: ASHRAE, ABNT NBR 17207, Diversas

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