Qual é o ar-condicionado correto para hospital?
Na área clínica, hospital não usa split de parede, e sim uma central de tratamento de ar com dutos estanques (sem vazamento), que puxa ar novo de fora sem parar, usa filtros HEPA e controla a pressão entre as salas.
O que a norma exige e por que o split comum não serve.
Como o sistema hospitalar funciona por dentro
Um aparelho residencial puxa o ar quente de dentro do quarto, faz esse ar passar pela serpentina fria e joga o mesmo ar de volta. Num ambiente fechado, isso pode acabar concentrando vírus, bactérias e poeira. E como o split comum devolve o mesmo ar que acabou de tirar, ele é proibido nas áreas críticas.
O sistema de climatização hospitalar usa ventilação forçada para puxar ar puro de fora do prédio e levar esse ar até uma Unidade de Tratamento de Ar. Nesse módulo fechado, serpentinas ajustam a temperatura e a umidade em níveis exatos. Em seguida, ventiladores potentes empurram esse ar por três etapas de filtragem, uma atrás da outra. Primeiro ele passa pelos filtros grossos, depois pelos filtros finos e, na saída final para a sala, pelos filtros absolutos de alta eficiência (os HEPA).
O ar tratado entra na sala por difusores no teto, muitas vezes em fluxo laminar, caindo em linha reta sobre a maca cirúrgica. Ao mesmo tempo, grelhas de exaustão puxam o ar do nível do chão para fora do prédio por dutos separados, sem deixar que o ar expelido se misture com o ar novo.
O sistema também cria barreiras pelo controle de pressão do ar. Em salas de cirurgia, a pressão interna é mantida mais alta do que a do corredor. Quando alguém abre a porta, o vento sopra de dentro para fora, o que impede a poeira e as bactérias do corredor de entrarem no ambiente estéril. Já nos quartos de isolamento para pacientes com doenças infecciosas, acontece o contrário. A pressão fica mais baixa que a do corredor para puxar o ar para dentro, e isso impede que os vírus escapem para o restante do hospital.
O que a norma exige na prática
A climatização de conforto em casas e escritórios segue a ABNT NBR 16401, com filtros básicos das classes G1 a G4. Em ambiente de saúde, o projeto obedece à ABNT NBR 7256, que cobra requisitos sanitários bem mais duros.
Para centros cirúrgicos, a ABNT NBR 7256 determina regras claras:
- A temperatura deve ser mantida estritamente entre 18 °C e 24 °C.
- A umidade relativa do ar precisa ficar em no máximo 60%.
- O nível de ruído dos equipamentos não pode passar de 45 dB(A).
- O sistema precisa fazer no mínimo 15 trocas de ar por hora. Dessas 15 trocas, pelo menos duas renovações completas têm de ser feitas com ar externo captado da rua.
- A pressão positiva deve manter uma diferença mínima de +8 Pa em relação ao corredor.
- Na filtragem final, na saída do ar para a sala, é preciso usar filtros da classe HEPA H13, que garantem retenção de 99,95% das partículas de até 0,3 micrômetro.
Esses filtros absolutos passam por um ensaio, feito segundo a norma ISO 29463, que comprova que eles estão inteiros e sem vazamento. Nas áreas semicríticas, como enfermarias e laboratórios, a renovação mecânica do ar também é obrigatória para diluir os poluentes. Já as áreas administrativas comuns podem funcionar com equipamentos convencionais de conforto térmico.
Quanto custa manter o ar-condicionado hospitalar
O custo para instalar e manter funcionando um sistema de ar-condicionado hospitalar depende do tamanho da área construída, da classificação de risco das salas e do número de trocas de ar por hora exigidas no projeto.
Para a manutenção, um levantamento de mercado mostrou estas faixas, sem contar os filtros e as peças de reposição, como as válvulas:
- Visita técnica avulsa: de R$ 500 a R$ 1.500 por visita.
- Em hospitais de médio porte, contrato anual de manutenção preventiva com o PMOC (o Plano de Manutenção, Operação e Controle, obrigatório pela Lei 13.589/2018): entre R$ 15.000 e R$ 40.000 por ano.
- Contratos de manutenção anual para grandes hospitais com centrais de água gelada ou sistemas de fluxo de refrigerante variável: entre R$ 50.000 e R$ 150.000 por ano.
Quando chamar um profissional especializado
Pare qualquer serviço no sistema se notar que os manômetros de pressão diferencial, nas portas das salas de cirurgia, estão marcando valores fora da faixa, ou se aparecer umidade acumulada no teto. Se precisar verificar qualquer componente dos quadros de comando ou dos motores das centrais, primeiro desligue o disjuntor geral do circuito. Já os testes de estanqueidade dos dutos (que confirmam se eles estão bem vedados), a calibração do fluxo de ar e a medição de vazamento dos filtros absolutos são serviço de engenheiro mecânico legalmente habilitado.
O que muda na prática
99,95%
É o mínimo das partículas de até 0,3 micrômetro que os filtros HEPA H13 seguram na filtragem final do centro cirúrgico.
ABNT NBR 7256
15 trocas
No centro cirúrgico, esse é o mínimo exigido por hora, e pelo menos duas dessas trocas têm de ser renovações com ar externo.
ABNT NBR 7256
R$ 15.000 a R$ 40.000
Faixa do contrato anual de manutenção preventiva com o PMOC, o plano de manutenção exigido por lei, em hospitais de médio porte.
Diversas
Mitos e pegadinhas
- dizem que… O ar-condicionado em hospital serve apenas para dar conforto térmico à equipe médica.
- na prática… O frio fica em segundo plano. O principal é criar uma barreira sanitária para impedir que as infecções se espalhem.
- dizem que… Basta colocar um filtro HEPA ou ionizador em um split comum para usá-lo em hospital.
- na prática… O split comum não tem motor com força para vencer a resistência do filtro HEPA nem dutos para renovar o ar.
Na hora de comprar, o que olhar
- A classificação de risco de cada sala. As áreas críticas, semicríticas e administrativas precisam de máquinas diferentes, e tratar tudo como crítico custa caro à toa.
- Se o sistema faz mesmo a renovação com ar externo, com um duto que capta esse ar e uma exaustão própria. Sem isso, o equipamento só recircula o mesmo ar da sala.
- A filtragem que o equipamento aguenta. O ventilador precisa de força para vencer a resistência do filtro HEPA H13 sem perder vazão.
Nas áreas administrativas, onde dá para usar o equipamento convencional, vale entender como o split com renovação traz ar de fora.
veja como esse tipo se sai numa comparação completa — Qual Ar-Condicionado
Perguntas que chegam junto
Dá para perceber, olhando, se a sala está com a pressão certa?
Uma clínica pequena precisa do mesmo sistema de um centro cirúrgico?
fontes: ABNT NBR 7256, ABNT NBR 16401, ISO 29463, Lei 13.589/2018, Diversas
Termos desta página, traduzidos
filtro
a tela que segura a poeira antes das aletas. entender por quê →disjuntor
a chave que corta a energia do circuito. entender por quê →
Próximo passo
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- sem custo
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