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Como desinstalar o ar-condicionado sem perder o gás

ANTES DE COMEÇAR

Para não perder o gás, ele precisa ser recolhido na unidade de fora antes de alguém soltar os canos. O gás fica num circuito fechado entre as duas unidades, e soltar uma porca sem esse recolhimento deixa ele escapar.

Procure no manual do aparelho o que a marca diz sobre recolher o gás

serviço de técnicoallen, inglesa e manômetrorisco elétrico moderado

tempo
alguns minutos no frio
dificuldade
5 de 5, serviço de técnico
ferramentas
chaves Allen, chave inglesa e manômetro
custo das peças
só a mão de obra do técnico

O passo a passo

  1. Ligue o ar-condicionado no modo frio na temperatura mínima

    O compressor precisa estar trabalhando para sugar o refrigerante que está nos canos e na unidade interna. Num manual da LG, por exemplo, o aparelho fica mais de 10 minutos no frio, com o compressor funcionando, antes de fechar a primeira válvula.

  2. Retire as tampas de proteção das válvulas de serviço

    Use a chave inglesa na condensadora externa para tirar as tampas de latão e deixar à mostra os registros dos canos.

  3. Conecte o manômetro na válvula de serviço da linha de sucção

    Encaixe a mangueira de baixa pressão do manômetro na válvula do tubo grosso. A pressão que aparece ali muda com o gás do aparelho e com o calor do dia, então não existe um número que sirva para todos.

  4. Feche totalmente a válvula do tubo fino com a chave Allen

    Gire no sentido horário até o fim. Assim o fluido refrigerante para de ir para a unidade interna.

  5. Acompanhe o manômetro até a pressão chegar perto do zero

    O compressor segue puxando pelo tubo grosso tudo o que restou na tubulação e na unidade interna, e o ponteiro vai descendo. O ponto certo de fechar a próxima válvula vem no manual. Num manual da LG, por exemplo, é quando o manômetro marca entre 7,1 e 14,2 psi. Mas não deixe o ponteiro passar do zero, porque abaixo disso o circuito pode puxar ar e umidade por alguma conexão frouxa. Se ele passar, abra a válvula do tubo fino por um instante, só até o ponteiro voltar ao zero.

  6. Feche totalmente a válvula do tubo grosso

    Assim que o ponteiro chegar a esse ponto, feche o registro com a chave Allen, para o gás ficar preso na condensadora.

  7. Desligue o disjuntor do ar-condicionado imediatamente

    Se o compressor continuar ligado com as duas válvulas fechadas, ele trabalha no vácuo e sem lubrificação, e isso acaba queimando o motor.

  8. Com a energia desligada, solte as porcas e tire o split da parede

    Recoloque as tampas de latão nas válvulas. Com o gás preso na condensadora e o compressor parado, as porcas dos canos já podem ser soltas. Se o compressor ainda estiver funcionando nessa hora, entra ar no circuito, e a pressão fora do normal pode estragar o aparelho e até ferir alguém.

O que é o gás e onde ele fica

O gás do ar-condicionado, que os técnicos chamam de fluido refrigerante, é o que leva o calor de dentro do cômodo para fora. Ele não é queimado nem se gasta com o uso. Fica dando a volta, o tempo todo, dentro de um circuito fechado. Passa pela serpentina da unidade de dentro, vai pelos canos de cobre até a unidade de fora, onde ficam o compressor e a outra serpentina, e volta.

Nos aparelhos mais antigos, esse gás costuma ser o R-22. Nos mais novos, é o R-410A ou o R-32. O tipo vem no manual e na etiqueta do aparelho, e cada gás trabalha numa pressão diferente. O R-410A, por exemplo, trabalha com uma pressão bem mais alta que a do R-22.

Por que ele escapa quando o aparelho sai da parede

Os canos de cobre são presos nas unidades por porcas rosqueadas, e na unidade de fora essas porcas ficam nas válvulas de serviço. Para tirar o aparelho, essas porcas precisam sair, e o split comum não tem nenhuma trava automática nessas conexões. Então, se alguém solta uma porca com o gás espalhado pelo circuito, ele escapa na hora, sob pressão, e o jato gelado pode queimar a pele de frio.

Quando isso acontece, o aparelho chega vazio no endereço novo e precisa de uma recarga. Com os canos abertos também entram ar e umidade, e a umidade reage com o óleo e oxida o sistema por dentro. Por isso, na reinstalação, a bomba de vácuo tira esse ar e essa umidade antes de o gás voltar a circular.

E tem o lado da lei e do meio ambiente. Uma instrução normativa do Ibama, de 2018, não permite soltar no ar as substâncias controladas pelo Protocolo de Montreal e manda recolher o gás quando ele é tirado de um aparelho. O R-22 faz parte dessa lista, e os HFCs, família do R-410A e do R-32, entraram nela com a Emenda de Kigali, que o Brasil promulgou em 2023. Todos eles ajudam a esquentar o planeta quando escapam. Um manual da Daikin também é direto nesse ponto e diz que o R-32 e os outros refrigerantes devem ser sempre recolhidos e nunca soltos no ambiente.

Como o recolhimento funciona por dentro

O recolhimento usa o próprio compressor para juntar o gás na unidade de fora. Com o aparelho ligado no frio, o compressor manda o gás pelo cano fino e puxa de volta pelo cano grosso. Quando a válvula do cano fino é fechada, o gás para de ir para o cômodo, mas o compressor continua puxando pelo cano grosso o que ficou nos canos e na unidade de dentro. O ponteiro do manômetro vai descendo e, perto do zero, a válvula do cano grosso é fechada. Aí o gás fica preso na unidade de fora, pronto para a próxima instalação.

O ponto exato de fechar a segunda válvula muda de marca para marca e vem no manual do aparelho. Mas o ponteiro não pode passar do zero para o vácuo, porque aí o compressor trabalha sem lubrificação e o circuito pode puxar ar e umidade por alguma conexão frouxa.

Quando o gás não pode ser recolhido pelo compressor

Esse jeito de recolher só funciona se o compressor ainda liga. Se ele não dá partida, o gás só sai com a máquina recolhedora do técnico, ligada por mangueiras a um cilindro, que puxa o gás sem depender do aparelho. E é assim também quando o aparelho já está queimado e vai para o descarte.

Tem mais duas situações em que o próprio fabricante manda usar essa máquina. Num manual da Daikin, a marca proíbe o recolhimento com o compressor quando o circuito está vazando, porque o ar que entra no compressor ligado pode fazer ele explodir. E em manuais de split inverter da Midea, a marca proíbe recolher o gás com o compressor do aparelho e manda usar a máquina recolhedora e um cilindro. Então, antes de marcar o serviço, procure no manual do seu aparelho o que a marca diz sobre isso.

Erros comuns

  • Fechar a válvula do tubo grosso primeiro — faz o compressor continuar mandando refrigerante para a evaporadora (a unidade de dentro) sem conseguir puxar nada de volta, e a pressão sobe demais.
  • Soltar os canos sem recolher o fluido — libera todo o gás na atmosfera, e você vai ter que pagar uma recarga nova, que costuma custar de R$ 300 a R$ 450.

O que foi usado aqui: sem dado

esta comparação ajuda na hora de comprar — Qual Ar-Condicionado

Perguntas que chegam junto

É possível recolher o gás sem usar manômetro?
Sem manômetro, o recolhimento fica para o técnico. Tem manual que dá um tempo de espera, como um da Daikin, em que o cano grosso é fechado de 2 a 3 minutos depois do fino. Mas fora do manual cada referência dá um tempo diferente, e algumas falam em 10 a 15 segundos para um metro de tubo e 15 a 20 segundos para até 5 metros. E sem o manômetro você não tem como saber se o gás voltou mesmo todo para a unidade de fora, nem se a pressão já caiu abaixo do zero.
Por que o equipamento precisa estar no modo frio?
Porque é no modo frio que o fluido sai pelo cano fino e volta pelo grosso. Nos modelos quente e frio, se o aparelho estiver no aquecimento, o fluido corre no sentido contrário, e o recolhimento não acontece.
E se sair gás quando as porcas forem soltas?
Se sair um jato contínuo, denso e congelante, é sinal de que as válvulas não fecharam por completo. Aí reaperte as válvulas antes de continuar, e mantenha as mãos e o rosto longe do jato, porque ele queima a pele de frio. Mas o gás também pode sair gelado quando a válvula do cano grosso foi fechada antes da hora, porque aí ainda sobrou gás nos canos.

fontes: Ibama, Ministério do Meio Ambiente, Protocolo de Montreal, Emenda de Kigali (Decreto 11.666/2023), LG, Daikin, Midea, Diversas

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