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Ar-condicionado VRF: o que é e quando compensa

EM UMA FRASE

O ar-condicionado VRF (Fluxo de Refrigerante Variável) é um sistema central em que uma única unidade externa alimenta dezenas de aparelhos internos por uma tubulação compartilhada, dosando para cada cômodo só o refrigerante que ele precisa.

Veja abaixo quanto você paga por unidade de capacidade e quando esse custo compensa.

liga e desliga inverter: desacelera
Em cima, o compressor comum, que liga no talo e desliga. Embaixo, o inverter, que desacelera em vez de parar.

Como o refrigerante chega em cada cômodo

Na unidade externa ficam compressores inverter, e em cada ambiente um sensor e uma válvula de expansão dosam o refrigerante conforme o calor daquele cômodo. Por isso quem está no quarto pode escolher uma temperatura diferente da de quem está na sala. O caminho do gás, da condensadora até cada válvula, está no guia de como funciona o ar-condicionado VRF.

Um par de tubos, em vez de um par por aparelho

Essa é a parte que quase ninguém conta para quem está pedindo orçamento. No multi-split comum, cada evaporadora precisa do seu próprio par de tubos saindo da condensadora. Então, com cinco aparelhos, você tem cinco pares de tubos de cobre atravessando o forro. Já no VRF, sai um par principal, que percorre o imóvel e vai se ramificando no caminho por conexões chamadas Refnets.

É essa rede compartilhada que permite atender muito mais ambientes e distâncias maiores sem entupir de cobre os forros e as passagens de serviço. E é também por isso que o VRF não é um aparelho que você compra na loja. Ele é uma rede de refrigeração, que começa por um projeto.

O que você paga, e como ler esse preço

O VRF não tem preço por aparelho, e sim por capacidade. A unidade que o mercado usa é a TR, a tonelada de refrigeração, que indica o tamanho do sistema e sai do cálculo de carga térmica do imóvel (a conta de todo o calor que tem que sair dos ambientes). Em sistemas pequenos o orçamento costuma vir por HP, que é a potência do compressor.

A instalação civil e técnica de um projeto corporativo parte de R$ 15.000, fora o equipamento.

Então, o número que interessa para você só aparece depois do cálculo de carga térmica. É ele que diz de quantas TR o imóvel precisa, e o orçamento do equipamento é feito em cima dessa quantidade. O resto varia com o tipo de evaporadora, o comprimento da tubulação, o isolamento e as derivações (os pontos onde a tubulação se divide).

Quanto cai a conta de luz, e por que os números discordam

Aqui, cada fonte traz um número diferente. Quem projeta e instala VRF em prédios corporativos fala em até 50% de economia, mas esse é o número de quem vende o sistema, e mostra o quanto ele pode chegar a economizar. Já um estudo do IFES mediu o que aconteceu numa troca real de splits por VRF, e o VRF consumiu cerca de 64% da energia dos splits, ou seja, 36% a menos.

Com o tempo de retorno do investimento acontece a mesma coisa. Segundo o IFES, essa troca se pagou em torno de 57 meses. Já quem vende o sistema estima entre quatro e sete anos em projetos corporativos. Os dois números batem, mas nenhum deles é promessa para a sua obra, porque quanto mais horas por dia o sistema roda, mais cedo a diferença se paga.

Energia e etiqueta: o que muda no Brasil

Os sistemas VRF de médio e grande porte não funcionam em rede residencial monofásica de 127 V. O projeto precisa de 220 V, quase sempre em ligação bifásica ou trifásica. Se a sua casa é monofásica, a troca do padrão de entrada (a parte onde fica o relógio de luz) entra na conta antes do ar-condicionado, e isso se resolve com a concessionária e com o eletricista.

A etiqueta do INMETRO que você vê na loja não cobre o VRF, porque o Programa Brasileiro de Etiquetagem classifica aparelhos de janela e splits individuais de até 60.000 BTU/h. No VRF, a eficiência é cobrada no projeto do prédio, pelas instruções normativas do INMETRO para edificações comerciais. Na prática, você não tem um selo de loja para comparar. Entre duas propostas, o que vale olhar é o cálculo de carga térmica e a capacidade que cada uma oferece.

Quando parar e chamar um técnico

Não abra as tampas de comando elétrico, porque isso é serviço do técnico credenciado. Se aparecer erro de comunicação em várias unidades ao mesmo tempo, se o rendimento cair em vários cômodos ou se surgir gelo na tubulação, pare de usar o sistema e chame um técnico credenciado.

Para fazer o diagnóstico, o técnico usa a leitura digital das falhas, o teste de estanqueidade com nitrogênio (que mostra se a tubulação está bem vedada) e a bomba de vácuo. Completar o gás não é serviço para leigo, porque o circuito é fechado. Se o gás sumiu, é porque vazou em algum ponto, e esse ponto precisa ser achado antes da recarga.

O próximo passo é pedir um projeto com cálculo de carga térmica, percurso das tubulações e orçamento separado de equipamento e instalação.

O que muda na prática

Capacidade por motor

até 64

Evaporadoras internas que uma única unidade externa pode alimentar.

Diversas

Mitos e pegadinhas

dizem que… O VRF faz muito barulho por concentrar toda a potência em uma máquina só.
na prática… Em vez de várias condensadoras ligando e desligando na fachada, fica uma só, e o compressor passa boa parte do tempo em rotação baixa. As empresas que instalam VRF falam que ele é silencioso, só que esse é o argumento de quem vende o sistema. O barulho que você vai ouvir depende de onde a condensadora for fixada e do que tem em volta dela.
dizem que… Se o VRF deu qualquer falha, tem que trocar a placa eletrônica na hora.
na prática… O código de erro que aparece no visor mostra onde procurar, mas não diz qual peça queimou. O técnico lê as pressões e as temperaturas do sistema antes de condenar uma placa ou um compressor. E trocar essas peças no chute sai caro.

Na hora de comprar, o que olhar

  1. Quantidade de ambientes: o VRF só se justifica quando há muitos cômodos para climatizar e pouco espaço na fachada para condensadoras.
  2. Distância e desnível da tubulação: o VRF aceita trajetos mais longos e mais desnível do que um multi-split comum, dentro dos limites que o fabricante publica para cada linha.
  3. Horas de uso por dia: a economia na conta de luz só cobre o custo inicial se o sistema ficar ligado muitas horas, todos os dias.

Antes de definir o projeto da sua casa, consulte o guia sobre Instalação de ar-condicionado: preço e cuidados para entender prazos, infraestrutura e custos envolvidos.

compare os modelos deste tipo lado a lado — Qual Ar-Condicionado

Perguntas que chegam junto

O VRF serve para uma casa ou um apartamento?
Serve, nas versões menores, vendidas como Mini VRF. Uma condensadora atende vários quartos e salas, e dá para misturar tipos de evaporadora na mesma rede: parede, cassete e dutada embutida no forro, cada uma com sua temperatura. Mas, numa casa de dois ou três ambientes, splits separados ou um multi-split custam bem menos para instalar.
Posso contratar qualquer instalador para um VRF?
Melhor não, porque você pode perder a garantia. No Brasil, os fabricantes costumam dar a garantia só com um projeto executivo pronto antes da instalação e com o start-up (quando o sistema é ligado e conferido pela primeira vez) feito por uma equipe credenciada. O projeto fica com um engenheiro, e a instalação, com um técnico credenciado. E as garantias mais longas costumam exigir também a manutenção preventiva em dia. Sem isso, você fica só com a garantia legal do Código de Defesa do Consumidor. Guarde o relatório desse start-up quando a obra terminar.

fontes: IFES, INMETRO, Diversas

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