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Ar-condicionado para maresia: como escolher e proteger

Você mora num apartamento de frente para o mar, e a unidade externa fica presa na parede, com o vento salgado batendo nas aletas, as lâminas de metal uma do lado da outra.

O PRIMEIRO OLHAR

Procure um aparelho com serpentina de cobre, aletas (as lâminas finas de metal) com resina e placa eletrônica com verniz técnico. Nenhum aparelho é imune ao sal, mas essas três barreiras é que decidem se ele dura no litoral.

Pergunte ao vendedor de que material é a serpentina externa antes de fechar a compra.

O que muda neste ambiente

Por que o mar come o aparelho

O ar-condicionado gela o quarto tirando o calor de dentro e levando esse calor para fora, pela condensadora, o motor preso na parede externa. Para conseguir isso, o ventilador da condensadora puxa muito ar de fora e empurra esse ar por entre milhares de lâminas de metal finas e quentes, as aletas.

Na beira da praia, esse ar vem carregado de gotículas de água com sal. A água evapora nas lâminas quentes, mas o sal fica ali e faz duas coisas ao mesmo tempo. Ele vira uma crosta que atrapalha a saída do calor, e aí o ambiente demora mais para gelar e o compressor trabalha forçado. E, misturado com a umidade do litoral, ele também ataca o metal camada por camada, até abrir furos tão pequenos que nem dá para enxergar, e é por eles que o gás refrigerante escapa.

O que aguenta maresia é material, não formato

O split e o aparelho de janela sofrem do mesmo jeito. O que separa um aparelho que aguenta anos de praia de um que morre na segunda temporada são três barreiras. A primeira é o cobre no lugar do alumínio na tubulação, porque o cobre resiste bem melhor à oxidação do sal. A segunda é uma resina sintética aplicada sobre o alumínio das aletas, que impede o contato direto do sal com o metal. E a terceira é um verniz técnico sobre a placa eletrônica, que veda as trilhas (as linhas por onde a corrente passa na placa) e as soldas contra o ar úmido e salgado.

Na hora de olhar o produto, esses três itens aparecem na ficha técnica com nomes comerciais diferentes. As aletas resinadas costumam ser chamadas de Golden Fin ou de tratamento anticorrosivo. O verniz da placa às vezes aparece como revestimento de proteção. Já a serpentina de cobre é o item que quase sempre está escrito com todas as letras, e é o primeiro a procurar.

Nenhuma barreira dispensa a lavagem

O sal se deposita de qualquer jeito, sobre resina ou sobre alumínio nu. Enxaguar a unidade externa com água doce tira essa crosta antes que ela comece a corroer o metal. Não existe uma frequência certa para essa lavagem, porque depende de quanto o aparelho fica de frente para o mar e de quanto chove na sua rua. Quem mora na primeira quadra da praia precisa lavar bem mais vezes do que quem mora a dez quarteirões dela.

Tipo recomendado

Split com serpentina de cobre e aletas resinadas

O cobre aguenta o sal muito melhor que o alumínio nu, e a resina sobre as aletas (as lâminas de alumínio da unidade externa) mantém a maresia longe do metal. É a combinação que costuma vir descrita como anticorrosiva na ficha do produto.

Cuidados nesta situação

  • Enxágue a unidade externa com água doce e mangueira comum, sem lavadora de alta pressão, para dissolver a crosta de sal.
  • Instale a unidade externa num lugar protegido do vento que vem direto do mar, como atrás de uma mureta, de uma parede ou na lateral da sacada.
  • Limpe só com água e sabão neutro. Desengraxante, ácido e produto abrasivo comem o verniz e a resina que protegem as aletas, aquelas lâminas finas por onde o calor sai.
  • Confira a voltagem da rede elétrica do imóvel antes de comprar, porque a grande maioria dos aparelhos vendidos aqui é 220 V.
  • Não cubra o motor externo com lona ou saco plástico improvisado. O plástico prende a umidade e deixa o sal molhado o tempo todo.

ver o passo a passo de limpeza →

a comparação para este uso específico está aqui — Qual Ar-Condicionado

Perguntas que chegam junto

Existe selo do INMETRO para resistência à maresia?
Não. A etiqueta do INMETRO e o Programa Brasileiro de Etiquetagem medem o consumo e a eficiência do aparelho, mas não avaliam a resistência à corrosão. O material da serpentina e o tratamento das aletas (as lâminas de metal por onde o ar passa) aparecem no manual da fabricante, só que nem toda marca informa isso.
A garantia de fábrica cobre estrago causado pelo mar?
Nem sempre. O Código de Defesa do Consumidor garante 90 dias. Já as garantias de fábrica mais longas, de 5 a 10 anos contra corrosão, costumam valer só se a instalação for feita pela rede credenciada, e também costumam deixar de fora o dano por intempérie (o estrago causado pelo clima).
Spray protetor nas peças externas resolve?
Ajuda, mas não substitui o material certo nem o enxágue. Dá para encontrar desde um multiuso simples até um composto profissional para serpentina. O que não pode é aplicar produto químico agressivo nas aletas (as lâminas de metal fininhas da serpentina).

fontes: INMETRO/PBE, Código de Defesa do Consumidor, Diversas

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